Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Tratado geral das grandezas do ínfimo

por Manoel de Barros

A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Vadia opção

por Wagner Hilário
Poeiras nos olhos,
pálpebras exaustas,
pupilas autômatas
entregues à multidão

Espera um raio criativo
uma livre associação...
Que outra alternativa?
Que vadia opção?

Preserva-se solitário
perdido da loucura
em conexão?
Ou na loucura se conecta
e se esquece do sol
que brilha em si
salvo e são?

Que outra alternativa?
Que vadia opção?

A cada dia
se convence mais
que o verso
não é só poesia, 
é sua salvação