domingo, 20 de maio de 2012

As voltas do tempo


/por Wagner Hilário/

Tudo passa
...
O tempo cura e mata
Desmancha a beleza em rugas
Enxuga toda e qualquer lágrima

Tudo passa
...
O beijo doce amarga
O olhar d’alma embota
Desbota o amor em raiva

Tudo passa
...
Ódio, dor e mágoa
Desarmam-se enfim as mãos
Já não importa de quem foi a falha



sábado, 14 de abril de 2012

Conselho

/por Wagner Hilário/

Paixão não é senão
vontade de sentir bater
no peito de outro
nosso próprio coração

Quando correspondida:
epifania, iluminação.
Descoberta de que dois
podem ser um... Quiçá,
por toda uma encarnação

Quando não,
batida sem resposta,
chamada não atendida:
toca, toca, toca,
mas não sensibiliza...
Melhor desistir da ligação

quarta-feira, 14 de março de 2012

Auto-Eco

/por Wagner Hilário/

Por mais que se tente apagar
a verdade é indelével.
Se boa, soa,
canto aos ouvidos do benfeitor
Se má, agride: estridor.
Os atos são frases à beira do abismo;
nunca se perdem, ecoam,
voam e voltam
ao coração de quem as falou.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Métrica do Homem

/por Wagner Hilário/

Meu poema
em métrica alheia:
mosca na teia,
asas embotadas,
santa ceia
em que sou servido.

Minha pintura
na moldura errada:
natureza morta,
alma despida do corpo,
corpo sem o brilho
da alma.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Depois de Ceci

/por Wagner Hilário/

Ceci sorri
só ri, até quando chora.
É céu, é meu o sorriso...
...de Ceci.
Nem bem nasceu
nem bem a vi
já me esqueci como era
a vida
antes do riso... de Ceci.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Acaso

/por Diego Carvalho/

Olhos em chamas de frente ao por do sol, calmos e em brasas causam certa confusão, atentos e estáticos com a postura de um farol, desenham areias infinitas nos seus grãos, e a retina emaranhada rasteja pelo horizonte procurando fugir da desilusão.

O “sim” esperado, a mão estendida, ecoou sons de “não” com fim de despedida fechando a guarda do peito que com pressa procurou ar para não estar tão vazio. Olhou para os lados, esquerdo e direito, se sentiu perdida na porta de casa, sentou na calçada num dia de finados em pleno mês de abril.

Fez a maquiagem e pro espelho mentiu, vestido e decote em dia de frio, deu a mão ao acaso e procurou o destino que nunca se apresenta mais de uma vez. Achou a noite com cara de sorte, debochou da vida e sorriu, e esquecendo que o destino é a morte, abraçou o céu e dormiu.

***
Diego Carvalho escreveu o livro Quebra-Cabeças em Peças de Vida, estuda sistemas de informação, trabalha na área de programação e suporte de banco de dados, "adora projetos de animação" e dá aulas de jiu-jitsu e muay thai. É frequentador deste "sítio" há mais de dois anos.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O choro feliz d'alma

/por Wagner Hilário/

Saudade é a felicidade que passou,
cristalizada na memória;
felicidade dum tipo que não volta
que se desprendeu do tempo-espaço
e ficou só, n’alma.

Saudade é a felicidade
com os olhos cheios de lágrima.